“WELCOME TO LONDON, DARLING”


Eu cheguei em Londres esperando que a Vivienne Westwood estaria me esperando. “Welcome to London, darling”! Achando que todos aqueles looks conceituais, que me encantavam tanto nas pesquisas, estariam desfilando na minha frente.

Essa ideia era romantizada pelo fato de que muita coisa que era inspiração para mim no Brasil surgiu aqui.



Eu caminhava ansiosa para encontrar a inspiração como se o lugar tivesse a obrigação de ser o que eu queria. O tempo foi passando e cada vez em que eu não me inspirava com o look de ninguém, me decepcionava.


Os meus dias se resumiam em ir pro yoga, pro trabalho, pegar metrô e voltar pra casa. No prédio em que eu morava, eu cumprimentava meus vizinhos que são da Ásia e algo no estilo deles era tão autêntico que me dava vontade de estar confortável como eles naquela modelagem sem gênero, solta ao corpo e num tecido que era bonito mesmo que estivesse amassado.


Caminhando para o yoga, eu passava por um café africano decorado com esculturas de madeira que me faziam querer entrar. O outro lado da quadra era repleto de restaurantes da culinária do sul da Índia, onde eu via pessoas vestindo túnicas coloridas. Eu observava as estampas e a forma como o tecido amarrava-se no corpo. Coisas tão únicas.

No lugar onde eu fazia yoga, tinha um mapa com a pergunta “Where are you from?”. Eu marquei “Brazil”, sorrindo. O professor – que se chama Hamish e estudou em Mysore, na Índia – me apresentou para outra brasileira. Aqui, todos os dias você se lembra do lugar de onde veio.


Na rua, eu encontraria velhinhos e velhinhas com o cabelo todo colorido e o funcionário do metrô com seu moicano tye dye. Foi em Londres que surgiu o punk. Naquela época, essas pessoas eram revolucionárias por estarem vestindo algo novo e que fazia parte da contracultura. Hoje, que o visual punk foi massificado e já não é mais mainstream, essas pessoas continuam sendo revolucionárias e vestindo atitude.



Um dia, eu vi dois senhores de aproximadamente 70 anos que vestiam uniformes vermelhos de alfaiataria, com vários adereços dourados, medalhas e chapéu. Eles fazem parte de um asilo para veteranos do exército britânico. Eu tive a impressão de que eles saíram de uma máquina do tempo. Senti que aquilo deveria ser registrado.



Vivenciando Londres, eu percebi o quanto o mundo é grande. Comparando com outros continentes, a Europa é, geograficamente, muito pequena. Porém, por conta de um histórico de colonização, muitos imigrantes estão aqui, trazendo um pouquinho do mundo em que nasceram e concentrando esta mistura de pensamentos e atitudes.

A foto que tirei dos senhores me mostra que mesmo sem ter me deparado com a Vivienne Westwood é como se eu incorporasse algo dela que eu tanto buscava em Londres: o sentimento selvagem de sentir-me inspirada. A chave estava em como eu enxergava a moda ao meu redor. Ou, ainda, como eu transformo aquilo que enxergo em referências para me inspirar a ser livre na hora de me vestir e de fazer moda.


Nos vemos pelo mundo...




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